segunda-feira, março 05, 2007

O Jardineiro e a Rosa.


"Primavera, a Catadora de Rosas" - pintura de John Waterhouse
Em meu jardim de flores,
E de rosas repleto,
Amo a todas e as cultivo.
Tenho flores de todas as espécies:
Vermelhas, amarelas, púrpuras;
Grandes, pequenas e minúsculas.
Tenho flores silvestres, do campo
E das selvagens matas.
Enfim, muitas flores eu tenho.
No entanto, a que mais amo
É a rosa branca, com espinhos,
Oriunda de uma terra além-mar,
A pátria do bardo monóculo,
O Cantor de bravos nautas.
Ela é motivo de meu grande Amor,
Pois me foi oferecida pelos Deuses.
Eles me ordenaram: "Toma, bardo e jardineiro,
Esta é uma filha nossa.
Cuides dela, dá-lhe vida, ame-a,
Ela esteve por muito tempo
Jogada e imersa no barro pútrido do mundo.
Nós a concebemos linda e pura.
Ela, porém, perdeu consciência.
De suas virtudes e de sua beleza.
Mostra-lhe quem ela é; sejas um
Bom jardineiro e entoes teus cânticos
Para que ela relembre de sua Origem Divina".
Deram-me estes ditames os deuses
E eu os obedeci com humildade.
Tu me foste entregue pelos bem-aventurados:
Estavas machucada; teus espinhos machucavam
A mim também. Mas, agora aprendi
A lidar contigo sem me ferir.
Mesmo recoberta de lama,
Vi que - por detrás do lodo - havia
Um ser lindo, alvo, brilhante e puro.
Antes de chegares até minhas mãos
Outros te manipularam.
Eles não souberam te dar cuidados,
Te mal trataram e te deixaram
Quase sem vida.
Foste arrancada de tua terra nutriz,
Levada a distantes solos
E às descuidadas mãos
De jardineiros que não fazem jus
A esta tão bela arte.
Ó minha amada flor,
Nascida em Lusos Jardins,
Foste-me confiada aos meus cuidados.
Deixa que eu cuide de ti,
Permitas que eu te dê
Vida através de meu Amor.
Rogo que me permitas dar-te cuidados
Sem que teus espinhos me firam.
Já tive outras flores em meu
Sagrado Jardim do Coração:
Algumas murcharam, pois
Não se permitiram ser amadas,
Negando meu Amor;
Outras me fizeram sangrar
Com seus espinhos.
Não guardo mágoas das flores
Do passado, que vieram e se foram.
Eu te peço que não passes,
Peço-te que fiques, fiques com
Meu Coração, meu Jardim Sagrado
Presenteado pelos deuses.
Rogo que habites em meu Jardim
E não deixes vazio o meu Coração.

Awmergin, o Bardo
Em: 05/02/2004, às 22:05h

Um comentário:

Laura disse...

Simplesmente lindo!
E é maravilhoso saber que, hoje, eu sou a tua principal Rosa neste tão belo e delicado Jardim.
Beijos mil, meu poeta!