terça-feira, outubro 24, 2006

Epístolas sobre o Amor - trecho

Monhegan, Maine. 1922 Tempera on cardboard. 54.5 x 81 cm. N.Roerich International Centre-Museum, Moscow

Eu passarei pelo mundo como um vento que não deixa rastros. O meu canto, porém, será imorredouro: ele ecoará pelos séculos vindouros, como o eco possante que ressoa nas cavernas do tempo.Eu morrerei e meu corpo será consumido pelas salamandras ígneas; o pó restará da carne somente. Mas meus pensamentos alados voarão pelos céus inexplorados de outras mentes de homens.Esta será minha glória e minha elevação.Eu não almejo os louros dos homens, pois quem me laureará é a própria Clio, a Musa da História. E quando eu tiver elevado o meu Espírito Divino às belíssimas paragens dos Campos Elíseos, regozijar-me-ei entre meus Irmãos Maiores. Lá gozarei deleites indizíveis durante quinze séculos, entoarei meus cânticos e aperfeiçoarei minha arte entres os Mestres. Até que soe o badalar do sino uma vez mais... Beberei das águas do Letes, mas pouco para não vir esquecido. Retornarei ao mundo da carne uma vez mais; nascerei do ventre de outra mulher e serei um Bardo novamente nesta terra.
In: "Epístolas sobre o Amor" , pág. 79
Awmergin, o Bardo

2 comentários:

Verbena disse...

onde encontramos o "Epistolas sobre o Amor " na integra?
preciso de um pouco de sensilidade

Castelo da Vampira Olímpia disse...

O prazer foi meu! Esse vinho que começamos a tomar agora, é eterno. Obrigada por ser meu co-piloto no meu blog! beijão.